sábado, 14 de setembro de 2019

Internet derrota o último cinema pornô de Paris


Publicado originalmente no site da revista CARTA CAPITAL, em 4 de abril de 2019

Internet derrota o último cinema pornô de Paris

Por Nirlando Beirão 

Na década de 70, o Beverley recebia 7 mil clientes por semana. Terminou com menos de 500

O quartier de Saint-Denis, no coração de Paris, desde sempre ajudou a compor, juntamente com Pigalle, Le Moulin Rouge e o Crazy Horse Saloon, a imagem de uma cidade viciosamente erótica, ensandecidamente depravada. Aquela rua de traçado bêbado, ao lado do mercado do Halles, abrigava o comércio da carne e não por acaso serviu de cenário ao filme Irma La Douce, dirigido por Billy Wilder e protagonizado por Shirley MacLaine, em 1963.

A região foi pouco a pouco se glamourizando e, graças em parte à abertura do monumental Centre Pompidou, o Beaubourg, as prostitutas de cinta-liga sumiram do pedaço e os peep shows foram sendo substituídos por lojas de semigrifes. Dias atrás, o Beverley, que por mais de uma década segurou o estandarte de último cinema pornô de Paris, sucumbiu. Na época de ouro do pornocine, a capital francesa chegou a ter 900 salas como o Beverley. Em toda a França sobra agora apenas outro do gênero, em Grenoble.

Nostalgia à parte, ninguém verteu lágrimas pelo fim do Beverley. Na década de 70, quando foi inaugurado, ele recebia 7 mil clientes por semana. “Terminamos com menos de 500”, contou Mauricio Laroche, o ultimo proprietário. Entre esses sobreviventes, muitos estavam bem mais interessados em dar uma cochilada no escurinho da sala do que o que se passava na tela. Pelo preço único de 12 euros (54 reais), você podia assistir a dois filmes e ficar o tempo que quisesse no cinema.

Assim como as salas convencionais de espetáculo sofrem a competição dos canais de difusão do tipo streaming, a pornografia na tela grande foi dizimada pela internet e pelas redes sociais. Um clássico apimentado como Garganta Profunda, com a endiabrada Linda Lovelace, pode parecer um inocente conto de fadas para a garotada internética.

Texto, imagem e vídeo reproduzidos dos sites: cartacapital.com.br e youtube.com

terça-feira, 10 de setembro de 2019

terça-feira, 6 de agosto de 2019

GNC Cinemas: equipamentos para deficientes auditivos e visuais

Foto: Riole Acessibilidade/divulgação

Publicado originalmente no site PIONEIRO, em 30 de julho de 2019

GNC Cinemas oferece equipamentos para deficientes auditivos e visuais

Caxias do Sul e Blumenau, em Santa Catarina, estão na dianteira como as primeiras cidades da rede de cinemas a contar com a tecnologia

Por Silvana Toazza

Investir em acessibilidade é um caminho promissor para atrair mais público e mostrar-se sensível às diferenças. O GNC Cinemas, do Shopping Iguatemi, segue esse conceito e anuncia uma novidade para Caxias do Sul.

Trata-se da aquisição de equipamentos individualizados para pessoas com deficiências auditivas e visuais, já disponíveis para todos os filmes e sessões. Detalhe: Caxias do Sul e Blumenau, em Santa Catarina, estão na dianteira como as primeiras cidades da rede de cinemas a contar com a tecnologia.

Funciona assim: aos clientes com problemas auditivos, são oferecidos receptores de vídeo com legenda descritiva e em libras. Já para os portadores de deficiência visual, há receptores de áudio-descrição com fones de ouvido.

Os equipamentos devem ser solicitados na bilheteria do cinema, na hora da compra do ingresso. O cliente terá o suporte da equipe do GNC para o manuseio da tecnologia de sinal infravermelho.

Texto e imagem reproduzidos do site: pioneiro.clicrbs.com.br

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Lahire Marinho, o Guardião dos Cinemas de Rua

Herói da resistência: Lahire Marinho festeja cada round vencido
 pelos Cinemas de Rua e sua tribo.

Publicado originalmente site Conexão Jornalismo [https://bit.ly/3125spS], em 17/10/2014 

Entrevista com O Guardião dos Cinemas de Rua: mesmo depois de tantas batalhas perdidas, a luta continua!

Por Rogério Imbuzeiro

Conexão Jornalismo gravou uma entrevista exclusiva com um psicólogo e educador que há décadas luta pela sobrevivência dos cinemas de rua no país - ou, pelo menos, pela preservação da memória desses cinemas. No Rio de Janeiro, por exemplo, onde Lahire Marinho mora, tínhamos dezenas de salas, espalhadas por vários bairros. Hoje, a duras penas, poucas resistem fora dos shopping centers. Podem ser consideradas verdadeiros oásis, que ainda abrem suas portas para filmes de arte, festivais, clássicos, obras raras... espaços que continuam a atrair um público fiel e apaixonado, que não quer viver só de nostalgia. Com um detalhe importante: contra a corrente, novos cinemas de rua surgem no Rio e em outras cidades brasileiras. Leia a reportagem...

Um velho cinéfilo - nem tão velho assim, pode ser alguém na faixa dos 50 anos - caminha pelas ruas do Rio de Janeiro e sente saudades. Um quê de tristeza. No lugar dos cinemas de antigamente, ele vê empreendimentos comerciais diversos e principalmente igrejas evangélicas.

Metro-Tijuca: marcou época, vivia cheio, mas acabou dando lugar
 a uma loja de departamentos.

É no Rio mas poderia ser em São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, tantas cidades brasileiras que foram vendo, um a um, morrerem seus tradicionais e queridos cinemas de rua.

Tudo bem que ainda temos filmes em cartaz - e muitos - felizmente! Mas quase todos exibidos em shoppings ou em salas multiplex, que normalmente oferecem um cardápio dominado por entretenimento descartável e blockbusters.

Nada contra: Cinema, para sempre será a maior diversão. Esse slogan de uma distribuidora de filmes marcou época no Rio, na segunda metade do Século XX. Foi adotado por milhares de cinéfilos que acreditavam e continuam acreditando nisso: CINEMA É A MAIOR DIVERSÃO.

Um ex-cinema de Aracaju: em vez de espectadores fiéis, uma nova plateia.

Mas infelizmente aquele ritual sagrado - sair de casa para ver um filme - perdeu parte da graça, do encantamento. Pode-se dizer: perdeu "a aura". E o carioca Lahire Marinho sabe disso - sente isso - como poucos.

- O primeiro golpe foi quando eu ainda era garoto. Ia muito ao cinema com o meu pai, em Copacabana. Um dia, fomos ao adorável Cine Ritz, assistimos ao filme e também a um trailer, chamando para o filme que estaria em cartaz na semana seguinte. Quando voltamos, uma semana depois, o cinema estava fechado. Na porta, um bilhete: o Ritz não existia mais. Quem quisesse ver o filme teria que procurar outra sala do circuito, em Ipanema. Foi traumático. E depois disso eu tive que ver "esse mesmo filme" muitas outras vezes - os meus queridos cinemas de Copacabana, e do Rio todo, sendo fechados, um atrás do outro.

 Não adianta chorar: muitos se foram, como o lendário Paissandu...

... mas pelo menos surgiram alguns novos, como o Ponto Cine.

 Psicólogo e educador aposentado, eterno morador de Copa, cinéfilo desde a infância e estudioso de cinema desde a juventude, aos 67 anos Lahire emociona-se ao falar do assunto, mas não fica na subjetividade. Apresenta números.

Em maio de 2014, segundo dados que ele levantou com a ANCINE (Agência Nacional do Cinema/Ministério da Cultura), tínhamos no país 2.343 salas em shoppings (87,5% do total) e somente 335 cinemas de rua ou em outros locais (12,5%). Goleada incontestável.

Para efeito de comparação: na década de 70, tínhamos 3.276 cinemas fora de shoppings. Praticamente dez vezes mais do que hoje!

Além dos filmes que corria para ver, Lahire Marinho sempre prestou muita atenção na arquitetura dos territórios cinematográficos... Para ele, a ambiência, a atmosfera, também contribuíam para criar "aquele clima", especial, único, que fazia da ida ao cinema uma experiência mágica, quase mística, inesquecível.

Rian: um dos muitos cinemas de Copacabana que não resistiram à especulação imobiliária.

Como são inesquecíveis certos nomes, cuja simples menção despertam em Lahire fortes emoções: Caruso, Rian, Miramar, Ricamar, Bruni, Metro... uma coleção de cinemas de Copacabana, extintos. Eram mais de vinte nos anos 60. Hoje, restam apenas dois.

Situação semelhante à vivida pelos moradores da Tijuca e do Méier, assim como pelos frequentadores do Centro - onde reinava a Cinelândia, com uma sala colada à outra. Sobrou apenas o Cine Odeon, atualmente fechado para uma obra não muito bem explicada, além de um cine pornô.

Em diversos bairros do subúrbio, das Zonas Norte e Oeste do Rio, e até na Ilha de Paquetá, o processo se repetiu: uma morte anunciada - implacável, insensível, sem apelação.

- O primeiro inimigo foi a especulação imobiliária, gente que queria muito abocanhar aqueles espaços cobiçadíssimos, com metro quadrado a peso de ouro. Depois, veio a Televisão, que passou a exibir filmes em maior quantidade e com mais qualidade que antes. Com o avanço tecnológico, os "inimigos" se multiplicaram, no mundo inteiro: VHS, DVD, agora blue ray - não tem como enfrentar. E ainda surgiram os shoppings, oferecendo conforto, consumo agregado de muitas outras coisas... Foi ficando cada vez mais difícil para os cinemas de rua.

Espaço no bairro de Botafogo com três salas do Grupo Estação 
 cronicamente ameaçadas de fechar.

Mas nem tudo é derrota, há esperança! Não de voltarmos à fase de ouro, evidentemente. Mas de conseguirmos criar uma nova geração de fãs da sala escura que queiram saborear a Sétima Arte "em grande estilo", no universo peculiar e envolvente oferecido pelos antigos cinemas.

Uma prova de que essa fé não é sem cabimento é a sobrevivência de alguns cinemas de rua "consolidados", ainda que frequentemente ameaçados - como as várias salas do Grupo Estação, no Rio. Especialmente nos fins de semana, um grande público concentra-se em frente às galerias onde funcionam os cinemas, na Zona Sul. Nas filas, uma presença massiva de jovens e adolescentes.

Legião de espectadores que em breve deverá estar prestigiando, também, o novo Cine Glória. Após uma "ampla reforma", o cinema ganhará um outro nome, mas continuará funcionando na mesma praça do bairro homônimo, com uma programação dedicada a filmes brasileiros que não costumam ter vaga no circuitão e a clássicos do cinema mundial. É esperar para ver.

Lahire Marinho comemora essa iniciativa e outras semelhantes, que estão em andamento em outras capitais. Antigas salas são restauradas e novas são construídas. Mesmo que em ritmo lento, cineclubes também se multiplicam, inclusive no interior do país.

Se Maomé não vai à montanha... Lahire e seu amado templo:
filmes de qualidade exibidos no cinema que instalou em casa.

Em homenagem a esses sonhadores (empreendedores), aos cinéfilos do planeta e ao próprio Cinema, Lahire dedica-se intensamente à Causa. A tal ponto que montou um "cineminha" caseiro - o da foto, aí em cima - no apartamento onde mora. Ali, realiza sessões para pequenos grupos, da velha guarda ou da novíssima geração. Quem chegar, com paixão, é sempre bem-vindo!

Cine São Luiz, no Recife: reinaugurado, acompanha a 
efervescência cinematográfica pernambucana.

Como aperitivo, por enquanto, a gente fica com um descontraído bate-papo. Uma conversa agradável, rica de informações e histórias... 

(Dentre os temas abordados: tudo o que se perdeu com o fechamento em série dos cinemas de rua / os principais motivos que levaram à quase falência do setor / em outros países é diferente? / as alternativas que foram surgindo, os novos empreendedores, a omissão ou o desinteresse dos governos, o que poderia e deveria ser feito pelas autoridades / a importância de se ter cinemas em favelas - mas com uma programação variada, e não apenas uma reprise do que é exibido nos shoppings / cinema na escola: uma esperança de melhores dias para a Sétima Arte e para a própria sociedade, alimentada com Cultura / passado, presente e futuro: nostalgia, luta e sonho)

ADENDOS À ENTREVISTA... a pedido de Lahire Marinho: O Cine Museu da República já voltou a funcionar, agora faz parte do Circuito Santa Teresa. / O Grupo Estação ainda não estaria com patrocínio definido, ainda estaria em busca de novas parcerias. A Petrobras patrocinava exclusivamente o Cine Odeon. O Grupo foi perdoado em 75% da dívida de R$ 31 milhões: os 25% restantes serão pagos em até 30 dias, após confirmação judicial. / O Cine Livraria Cultura é patrocinado pela Livraria Cultura, em São Paulo. O Cine Reserva Cultural possui a livraria Lima Barreto junto dele. / O Cine Ritz foi vendido para acertar finanças de seu proprietário, Vital Ramos de Castro, que contraíra com o Banco do Brasil para construir seus últimos cinemas.) ...

Texto e imagens reproduzidos do site: conexaojornalismo.com.br

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Cine Brasil um cinema vítima da pirataria


Publicado originalmente no site Overmundo, em 28/10/2007

Cine Brasil um cinema vítima da pirataria

Por Humberto Oliveira (jornalista e cinéfilo)

Cartaz indica a data da última sessão

Hoje à tarde quando vinha para o trabalho vi uma placa que colocaram no Cine Brasil dizendo “PIRATARIA FECHA CINEMA”. E como ficam os funcionários e aquelas pessoas que não têm como pagar R$ 12,00 por um ingresso no Cine Rio ou Cine Veneza?

O que eles farão a partir do fechamento do Cine Brasil para assistir a um filme? Resposta simples, direta e objetiva – Vão apelar para os filmes piratas que a cada dia proliferam em Porto Velho, no Brasil e no mundo. O que não deixa de ser uma ironia. Faz lembrar os versos de Augusto dos Anjos “a mão que afaga é a mesma que apedreja...”.
No mesmo cartaz também diz que a última sessão acontece dia 30 de outubro quando o Cine Brasil fecha suas portas definitivamente deixando órfãos inúmeras fãs de cinema que por ali passaram durante todos esses anos de sua existência.

O projetor do Cine Brasil se calará para sempre deixando o vazio como lembrança no projecionista e na cabine. Nunca mais aquele brilho de sonhos na sua tela. Nunca mais o entra e sai de espectadores. Nunca mais dois ou três filmes em cartaz, para alegria dos espectadores. Nunca meia para todos em todas as sessões. Nunca mais Cine Brasil.

É triste, mas é verdade. O Cine Brasil merece uma epígrafe - “AQUI JAZ O CINE BRASIL, POIS APESAR DO NOME QUE MUITO LHE PESOU, ACABOU VÍTIMA DA PIRATARIA, DO DESCASO E DA OMISSÃO”.

A sétima arte como é chamado o cinema, desde a sua criação sempre precisou se reinventar para continuar existindo. E isso nunca foi nada fácil. Se até os pais franceses do Cinema, os irmãos Lumiére diziam que o “cinema não tem futuro, pois não passa de uma curiosidade de feira”. Ainda bem que eles estavam enganados.

Primeiro foi à passagem do cinema mudo para o sonoro, cuja transição destruiu carreiras e consolidou outras. Nos anos cinqüenta viria o fenômeno de massa chamado televisão e com isso o público não precisa sair de casa para assistir a um filme.

No entanto os “gênios do sistema” como mágicos sempre a postos tinham um às na manga como o Cinemascope, o cinema em 3D entre outras invenções capazes de atrair o público para as salas de cinema que diminuíam gradativamente causando assim desemprego.

O cinema, como todos sabem, é uma indústria que depende não apenas de astros, estrelas e diretores, mas de técnicos, extras, roteiristas, figurantes, e claro salas para exibição dos filmes.

Apesar de arrecadar milhões, isso não é garantia de que uma sala de exibição, grande ou pequena, consiga sobreviver sem espectadores. Muitos cinemas em todo o Brasil acabaram sendo transformados em igrejas evangélicas. No entanto existe agora um perigo maior. A pirataria que acaba de fazer mais uma vítima, no caso, o Cine Brasil; e vitimando seus funcionários e a população.

Texto e imagem reproduzidos do site: overmundo.com.br

domingo, 21 de julho de 2019

UCI Cinemas inaugura complexo no Park Shopping Canoas


Publicado originalmente no site Guia21 Sul21, em 24 de novembro de 2017

UCI Cinemas inaugura complexo no Park Shopping Canoas

By Milton Ribeiro

O novo espaço abriga sete salas e traz para a cidade uma revolução na experiência de se assistir a filmes no cinema

Como parte das comemorações de duas décadas da rede UCI no Brasil, a empresa inaugura na sexta-feira, dia 24 de novembro, um novíssimo complexo cinematográfico: o UCI Park Shopping Canoas, com sete salas, sendo seis equipadas com dolby 7.1, além da primeira XPLUS da cidade, projeto próprio da empresa que revoluciona a percepção de som e a experiência de se assistir a filmes no cinema.

Os fãs dos super-heróis da DC Comics que ainda não conferiram “Liga da Justiça” (Warner Bros) poderão acompanhar na sala UCI XPLUS as aventuras de Batman, Mulher-Maravilha, Superman, Aquaman, Ciborgue, Flash e Cia. A sala especial tem uma tela gigante, com mais de 150 metros quadrados e um projetor 3D de definição 4K – quatro vezes maior do que a projeção digital comum – fornece imagem com muito mais brilho, nitidez e profundidade.

São mais de 54 auto-falantes e 128 deslocamentos simultâneos de objetos sonoros, que criam a ilusão de um campo de som infinito ao redor de cada espectador, proporcionando a sensação de imersão total no filme. Para tornar ainda mais incrível a experiência, todas as salas do novo complexo, incluindo a XPLUS, serão equipadas com cadeiras SUPERSEATS, que ficam estrategicamente posicionadas nos melhores ângulos de visibilidade da tela e da potência do som. Mais largas e com encostos reclináveis, as poltronas contam com braços individuais que podem ser levantados, transformando os assentos em sofás para maior conforto dos casais.

O público de Canoas também vai poder desfrutar do UCI UNIQUE, o programa de fidelidade da rede que proporciona aos associados várias vantagens, como descontos em ingressos todos os dias, meia-entrada para qualquer sessão de conteúdo alternativo (como por exemplo balés, shows, eventos esportivos) e entradas com desconto às terças-feiras, em todas as salas, incluindo a XPLUS. Além disso, tem o “filme da semana”, com descontos especiais em superlançamentos.

O empreendimento chega ao Rio Grande do Sul com a missão de proporcionar mais do que sessões de cinema, mas experiências inesquecíveis. Para isso, a empresa investiu aproximadamente R$ 12 milhões no projeto. “É um imenso prazer chegar a Canoas e poder compartilhar nosso compromisso com o público de trazer as mais novas tecnologias em cinema e mais conforto nas salas. As nossas expectativas são as melhores”, resume Monica Portella, diretora de marketing da rede.

Atualmente, a UCI está presente em 12 cidades do país (Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Fortaleza, Curitiba, São Luís, Campo Grande, Manaus, Ribeirão Preto, Salvador, Juiz de Fora e Belém). Com essa inauguração, a UCI Cinemas passará a ter 24 complexos espalhados pelo país, totalizando 201 salas, em 13 cidades.

SERVIÇOS E DIFERENCIAIS DOS CINEMAS UCI

UCI Festa
Crianças, jovens e cinéfilos em geral também podem comemorar datas especiais com sessão de cinema e festa no espaço da rede UCI, com direito a comes e bebes, música e combo para os convidados.

Gift card
Para quem quiser presentear em grande estilo, a rede UCI oferece o gift card, um cartão no valor de R$ 60 que pode ser usado na compra de ingressos e também na bombonière. Não há limite máximo de compra por pessoa e, para adquiri-lo, basta ir a uma das bilheterias dos cinemas UCI ou acessar o site da rede e clicar no link do produto.

Conteúdo alternativo
A rede foi pioneira em trazer para a tela grande performances de balé em 3D e, desde então, exibe e distribui anualmente as temporadas de dança do Bolshoi, além de óperas, futebol e shows. As apresentações da temporada 2017/2018 da companhia russa poderão ser vistas a partir de dezembro, com o clássico “O Quebra-Nozes”.

Diversão em grupo

A UCI ainda acredita que ir ao cinema é mais gostoso acompanhado e, por isso, oferece diferentes opções para a diversão em grupo. O “Ticket Família” inclui quatro entradas para um grupo composto por dois adultos e duas crianças de até 12 anos por um preço especial, que varia de acordo com a sala, sessão e cinema escolhidos. Já a “Sessão Família”, oferece ingresso com preço diferenciado para sessões matinais aos sábados, domingos e feriados, em determinadas salas da rede.

UCI Corporate

Empresas também podem aproveitar a estrutura das salas da rede para eventos do UCI Corporate. A rede oferece para locação espaços em seus complexos para diferentes tipos de encontros, como apresentações, treinamentos e conferências. Outra vantagem que a UCI oferece, é a possibilidade de uma sessão exclusiva de um dos filmes em cartaz para funcionários, colaboradores e clientes.

Projeto Escola

O Projeto Escola oferece os ambientes da rede para sessões educativas para alunos de todas as séries, em horários e preços especiais. As salas também podem ser usadas para aulões e cursos específicos. O projeto é uma iniciativa para que estudantes possam vivenciar, numa sessão fechada para sua escola, uma atividade educativa única, com a exibição de um filme como fator desencadeante de discussões, debates e trabalhos pedagógicos.

SERVIÇO
UCI Park Shopping Canoas
Av. Farroupilha 4545 – L3 – Canoas – RS.

Texto e imagem reproduzidos do site: guia21.sul21.com.br

Juazeiro do Norte ganha um novo espaço cultural

O cinema funciona no sótão da velha casa, com cadeiras do 
extinto cinema da Rua Eldorado

Publicado originalmente no site Diário do Nordeste Verdesmares, em 11/11/2015

Juazeiro do Norte ganha um novo espaço cultural

Por Clara Karimai

A Região do Cariri cearense, abriga, agora, museu e cinema em prédio de grande valor histórico

Juazeiro do Norte Logo na entrada do Casarão, fotografias de uma família que viveu no século XIX. A história dessas pessoas conta bastante da história de Juazeiro do Norte. O local, que já foi coletoria do Município, hoje é um abrigo de memórias preservadas por meio de móveis, documentos e vários artigos de diferentes épocas.

A primeira proprietária foi Joana Tertulina de Jesus, a popular beata Mocinha, conhecida também como a cuidadora do Padre Cícero Romão Batista. Logo depois, foi adquirida por José Ferreira de Menezes, que, além de amigo, também prestava serviços ao sacerdote como advogado. Lá, aconteceram as principais reuniões para a conflagração da Sedição de Juazeiro e também serviu de esconderijo para as armas do conflito.

São exibidos filmes todas as sextas-feiras, a partir das 19h.Nas quintas, 
o espaço é disponibilizado para alunos de escolas públicas

Mudanças

Hoje a propriedade pertence aos descendentes de José Ferreira de Menezes e passou por uma reforma há alguns anos. A casa, que tinha até um cantinho para o Padre Cícero armar sua rede, guarda um acervo de memórias, com peças que recontam costumes e narrativas de diferentes perspectivas e que agora estão acessíveis a visitação.

Além do desejo de restaurar a casa em que cresceu e de onde ouviu tantas histórias, Humberto Menezes, neto do José Ferreira, agregou, ao museu um cinema. O sótão da velha casa ganhou as cadeiras do proprietário do extinto cinema de Rua Eldorado, Expedito Costa e agora exibe filmes todas as sextas-feiras, a partir das 19h.

Estudantes

Nas quintas-feiras, Humberto disponibiliza o espaço de projeção cinematográfica para alunos de escolas públicas. A moeda é o interesse individual ou coletivo, de cinéfilos a estudantes. As películas fazem parte da coleção do professor Edimilson Martins, amigo de Humberto. Ele possui mais de 15 mil filmes: "A gente sempre vinha assistir filmes nessa casa antes da reforma, juntávamos mais alguns amigos e colocávamos um projetor no muro do quintal, quando ele decidiu fazer desse espaço um cinema, eu me dispus a trazer os filmes".

Hoje a propriedade pertence aos descendentes de José Ferreira de Menezes 
e passou por uma reforma há alguns anos

Roteiro de fé

O casarão fica localizado na Rua Padre Cícero, 158, próximo À Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores e outros locais que possuem uma importância fundamental dentro da fé popular. Dos mais de dois milhões de romeiros que passam por juazeiro, possivelmente um pequena parcela conhece o ambiente.

A professora do curso de Administração da Universidade Federal do Cariri (UFCA) e bisneta de José Ferreira, Waléria Menezes de Alencar, promoveu um evento, em parceria com a Universidade, quando foi inaugurado o museu. Na ocasião, ela falou da proposta do local: "O projeto é que a Universidade se aproprie do lugar para ações de pesquisa, ensino, extensão e cultura, pois é um acervo importante para a memória da cidade".

Durante o evento foram realizadas discussões em torno das "Memórias do Casarão de José Ferreira de Menezes - Cem anos da Revolução de 14", onde também foi debatida a preservação do patrimônio material e imaterial e gestão da memória social.

Texto e imagens reproduzidos do site: diariodonordeste.verdesmares.com.br 

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Cine Mafalda

Sala do Cine Mafalda

Cabine de Projeção do Cine Mafalda
Fotos reproduzidas do blog cinemafalda.blogspot.com

Minhas peripécias no Cine Marajá

Foto de Alcir R. de Oliveira, reproduzida do Facebook/Jornal Juca Post e postada pelo blog

Texto publicado originalmente no BLOG DO ALCIR, em 13 de março de 2007

Minhas peripécias no Cine Marajá
Por Blog do Alcir

Entre 1968 e 72, eu era um jovem projecionista do Cine Marajá, no município de Franco da Rocha, SP. Solitário na cabina de projeção, cometi erros e aprontei algumas poucas e boas com resultados hilários. Para minha sorte, o dono do cinema, o tcheco-eslovaco Jorge Truksa, biotipo alemão, baixo e troncudo, já falecido, só tomou conhecimento dos fatos quando relatei os ocorridos em matéria que publiquei no jornal Juca Post anos atrás, quando o cinema fechou para dar espaço para uma nova igreja evangélica. Hoje o cinema funciona sob nova direção.

Uma vez dormi durante a projeção. Para quem não sabe, os filmes vinham em quatro, geralmente cinco rolos enlatados com cerca de 20 a 25 minutos de duração cada. Eu já havia visto o mesmo filme tantas vezes que cochilei quando a última parte estava quase no fim. Trancado na cabina, estirei-me em uma poltrona e ronquei. O arco voltaico (que lança a luz do filme à tela) apagou-se, a imagem na tela sumiu, mas o som continuou.

Era um dia de semana e havia uns poucos gatos pingados vendo o filme. Eles levantaram-se reclamando e foram embora porque sabiam que era o final. Jorge Truksa não estava. O único funcionário que estava lá, subiu correndo uma escada externa da cabine de projeção e bateu forte na porta trancada. Eu não ouvi; o barulho do projetor era alto. O funcionário espiou pelo buraco da fechadura e só viu minhas pernas estendidas, inertes. “Morreu!", pensou ele. Deu a volta correndo e abriu a porta do balcão que dava para a cabina acordando-me. Levantei-me num pulo até tomar consciência do que havia acontecido. O povo já tinha ido embora. “Não conte para o seu Jorge, pelo amor de Deus!", implorei eu ao rapaz. E ficou por isso mesmo.

Jorge Truksa morava em um sobrado ao lado do cinema. Eram muitos os gatos que viviam no seu quintal. Diante da tela do cinema, havia um palco com piso de assoalho limitado por uma pequena mureta diante das poltronas do cinema. Abaixo da tela havia a tubulação do ventilador, de uns sessenta centímetros de diâmetro com uma grade vertical de madeira. A tubulação ia dar no quintal do dono do cinema, onde ficava o motor com a hélice do grande ventilador. Eu via o filme pela “janelinha” da cabina quando vi um gato refletindo-se no brilho da tela no assoalho do palco. O bichano parou, olhou a movimentação da cena da tela e entrou calmamente no tubo do ventilador, que estava desligado. Corri para a chave e liguei a máquina, sabendo que a hélice estava longe, na outra ponta do tubo, e não iria ferir o gato. Voltei correndo para a “janelinha” para ver o resultado. Foi divertido: o gato, apavorado, saiu em disparada do ventilador, escorregou pelo piso encerado do palco, bateu na mureta e caiu no meio da platéia. Foi gente pulando e gritando pra todo lado naquele setor, na “fila do gargarejo”. Morrendo de rir, eu desliguei o ventilador impunemente.

Jorge abriu um cinema da cidade de Jarinu e faturou com uma idéia que aparece no filme Cinema Paradiso. A tática era a seguinte: ele alugava um filme para exibir em um cinema e exibia em dois, sem pagar mais por isso. O filme passava, digamos, na matinê (sessão da tarde) de domingo em Franco da Rocha e à noite em Jarinu. Aconteceu que eu estava treinando o projecionista de Jarinu. Lá não tinha matinê no começo, só a exibição da noite. Como eu trabalhava em Franco da Rocha e só ia pra Jarinu nas sextas, sábados e domingos à noite, logo arrumei uma namoradinha por lá, Ana Silvia, uma moreninha muito bonita. E, por causa dela, eu nunca ensinava tudo pro Chico, o trainee de lá, só para continuar indo mais vezes para a cidade. O dono do cinema reclamava e eu apelava: “Pô, Jorge, o cara é muito burro! Aprende devagar demais!” Coitado do Chico. Era alto, jeitão caipira e estrábico.

Aí aconteceu a merda. Eu passei um filme na matinê de Franco da Rocha, um outro projecionista assumiu a sessão noturna em Franco e nós partimos para Jarinu levando o filme na Kombi do Jorge. Aconteceu que eu, na minha ânsia de ver a namorada, esqueci a última parte do filme em Franco da Rocha. O cinema de Jarinu quase lotou. Deixei o Chico na projeção e sentei-me com a moça no escuro da platéia. Tudo ia bem até que o filme parou, as luzes acenderam e o Chico desceu como um louco para dentro do cinema, me procurando. Eu me levantei e ele gritou para que todos ouvissem: “Alcir, cadê a última parte do filme?” Eu gelei. Todos os olhos estavam voltados para mim. Viramos a Kombi de cabeça pra baixo, e nada! Vermelho como um pimentão, o velho Truksa postou-se diante da platéia, e explicou o problema: “a última parte do filme não estava disponível, que todos o desculpassem, que não havia nada a fazer, que isso não iria mais acontecer etc., etc.” O tcheco-eslovaco só não me matou por pouco. É mole?

Uma vez eu via o filme pela janelinha quando o cinema inteiro caiu na gargalhada. Não entendi: a cena na tela não tinha nada de engraçado. Os risos durante minutos. Só depois é que um funcionário me contou o ocorrido. O cinema tinha o salão principal e um balcão no alto, ao lado da cabina de projeção. O cinema estava em silêncio, todos atentos ao que se passava na tela, quando uma voz feminina veio do balcão, dizendo em alto e bom tom: “Tira a mão de mim, velho safado!”, seguido do ruído de tapas. Gargalhada geral na platéia.

Texto reproduzido do blogdoalcir.blogspot.com

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Cine Passeio devolve o cinema de rua a Curitiba









Fotos: Franklin de Freitas

Publicado originalmente no site Bem Paraná, em 26/03/2019  
 
Cine Passeio devolve o cinema de rua a Curitiba

Redação Bem Paraná

A partir de hoje, Curitiba passa a contar com um novo complexo cultural. O Cine Passeio, na esquina das ruas Riachuelo e Carlos Cavalcanti, no Centro, tem a proposta de trazer de volta a concepção dos cinemas de rua e ser um espaço de formação audiovisual e de inovação na área da economia criativa. A inauguração, às 19h30, faz parte das comemorações do aniversário de 326 anos da cidade, e será marcada por uma série de atrações.

“A ideia é fazer desse lugar um ponto de encontro das pessoas, a meio caminho entre a Universidade Federal, o Passeio Público, o Solar do Barão e o Centro Histórico", destaca o prefeito Rafael Greca. "O velho quartel foi revitalizado para evocar os antigos cinemas de rua que fazem a lenda do século 20 e da Cinelândia curitibana. Pela cultura vamos renovar definitivamente a Rua Riachuelo para que sirva ao bom uso de todas as famílias de Curitiba”, diz.

O investimento no projeto, que levou aproximadamente dez anos para ser concluído, é de R$ 9,5 milhões, recurso captado pela Prefeitura por meio de comercialização de cotas de potencial construtivo. Com área de 2.597 m², o Cine Passeio ocupa uma edificação histórica, classificada como Unidade de Interesse Especial de Preservação (UIEP), que foi totalmente restaurada e adaptada para receber as atividades culturais dentro do programa Rosto da Cidade.

O Cine Passeio passa a ser uma nova unidade da Fundação Cultural de Curitiba dedicada à linguagem audiovisual, assim como a Cinemateca e o Cine Guarani. A administração do espaço está a cargo do Instituto Curitiba de Arte e Cultura (Icac).

“O Cine Passeio representa a vitalidade de Curitiba na área cultural. É fruto de um esforço conjunto para valorizar a nossa produção artística e oferecer um espaço agradável do qual todos os curitibanos podem se orgulhar. Não poderia existir presente melhor para a cidade”, diz a presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Ana Cristina de Castro.

Segundo o diretor executivo do Icac, Marino Galvão Jr., o Cine Passeio terá, do ponto de vista da gestão, o mesmo tratamento de outros espaços administrados pelo instituto, como a Capela Santa Maria. “Os excelentes resultados de performance artística e de gestão cultural alcançados em outras áreas agora serão aplicados na linguagem audiovisual, possibilitando um retorno mais rápido à sociedade”, destaca o diretor.

Salas Luz e Ritz homenageiam antigos cinemas. No terraço, filmes a céu aberto

O complexo tem duas salas de cinema para exibição de filmes em sessões diárias. As salas Luz e Ritz foram assim denominadas em referência aos dois antigos cinemas mantidos pela Fundação Cultural – o Cine Luz, que funcionou na Praça Zacarias e depois na Praça Santos Andrade, e o Cine Ritz, que ficava na Rua XV de Novembro.

Com capacidade para 90 pessoas, as salas possuem os mais modernos equipamentos de projeção e sonorização existentes no mercado. São dotados de tecnologia para recepção de filmes em formato DCP (digital cinema package), com alta qualidade de desempenho, possibilitando inovação ao setor audiovisual.

Já a partir do dia 28 de março, as duas salas estarão em funcionamento. Com curadoria de dois especialistas, o crítico de cinema Marden Machado e o cineasta Marcos Jorge, a programação será montada com produções disponibilizadas pelas distribuidoras comerciais. As cinematografias clássica e contemporânea, além de mostras especiais, serão contempladas na programação.

O complexo tem no subsolo uma área dedicada às ações de formação, que recebeu o nome de Espaço Valêncio Xavier, homenagem ao escritor, cineasta e criador da Cinemateca de Curitiba, falecido em 2008. Conta com uma sala multiuso (Estúdio Valêncio Xavier), com 110 lugares, também dotada de modernos equipamentos, com projetor móvel e tela retrátil.

No mesmo ambiente funcionará a Sala Video On Demand (VOD), que se refere ao consumo de conteúdo digital com escolha do usuário, como por exemplo Netflix e Amazon. Com tela 4K de 86 polegadas, o local possibilitará o acesso a diversos conteúdos digitais.

No piso está instalada também a segunda unidade do Worktiba, primeiro coworking público do Brasil criado para atender a necessidade de pequenos e microempreendedores. Esta unidade terá como foco a economia criativa, o audiovisual e a inovação.

O segundo pavimento, onde também está a Sala Ritz, dispõe de uma área para cursos na área do audiovisual, que pode ser locada e utilizada por produtores independentes, parceiros estratégicos, como a Universidade Estadual do Paraná (Unespar), a Associação de Vídeo e Cinema do Paraná (Avec) e o Sindicato da Indústria do Audiovisual do Paraná, e também pelo público em geral.

Um cinema a céu aberto também faz parte do complexo do Cine Passeio e funcionará no terraço, que dispõe ainda de uma área para eventos. Esse local poderá ser utilizado para atender eventos ligados às áreas de economia criativa (design, moda autoral, gastronomia).

Junto à entrada do Cine Passeio, na Rua Riachuelo, e no mesmo no mesmo piso da Sala Luz, funcionará uma cafeteria, que trabalha com produtos selecionados da região de Curitiba (cafés, vinhos e cervejas artesanais).

Projeto preservou características do imóvel histórico

O prédio foi construído em meados da década de 1930 para abrigar setores administrativos do Exército e assim funcionou até aproximadamente o final da década de 1990. Ele é de propriedade do município desde 2010, ano em que foi transferido para a Fundação Cultural de Curitiba para que fosse desenvolvido ali um projeto de restauração em conjunto com Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc).

Por estar inserida no eixo histórico Barão-Riachuelo, a edificação do antigo quartel foi cadastrada como UIEP, quando então, em 2012, iniciou-se o processo de captação de recursos por meio de troca de potencial construtivo, a fim de viabilizar a proposta de criação da nova unidade cultural.

Paralelamente foram iniciados os estudos e projetos arquitetônicos para a revitalização do espaço, feitos pelos arquitetos Dóris Teixeira e Mauro Magnabosco, do Ippuc. O projeto preserva as características externas e a volumetria do imóvel. Aproveita grande parte da estrutura de alvenaria, as divisões internas e também portas e esquadrias, que foram recuperadas. Foram refeitos todos os sistemas elétrico, hidráulico, de lógica e de drenagem. O prédio está plenamente adequado em termos de acessibilidade e segurança.

O Cine Passeio, além de trazer de volta à cidade a proposta dos cinemas de rua como alternativa à profusão de salas em shopping centers, se insere em programas de revitalização do centro histórico da cidade, e atualmente no programa Rosto da Cidade, lançado pela Prefeitura para recuperação de prédios históricos.

O diretor de Ação Cultural da Fundação Cultural de Curitiba, Beto Lanza, chama atenção para o contexto mais abrangente da proposta do Cine Passeio. “É mais um exemplo de que Curitiba está na vanguarda das soluções urbanas”, diz. “O Cine Passeio traz qualidade de vida para aquela região, valoriza a paisagem, pensa no cidadão e no seu direito de acesso à cultura e ao patrimônio histórico. Além disso, cria um ambiente para o porvir, no estrito sentido da palavra, possibilitando que a atual geração, que não conheceu os cinemas de rua, possa aproveitar e experimentar esse ambiente, e também criar e produzir inovação a partir da linguagem do cinema”, afirma.

Na inauguração, fachada vira tela e homenageia a história do cinema

Para a inauguração, a Rua Riachuelo será interditada, pois a festividade começa do lado de fora do prédio. A própria fachada, totalmente branca, se transforma numa tela para a projeção de imagens que fazem referências à história do cinema mundial, incluindo cenas da cinematografia curitibana.

Este happening tem direção e roteiro de Edson Bueno e uma trilha sonora feita especialmente para o evento pelo produtor musical e sound designer Vadeco Schettini.

Após o descerramento da placa pelo prefeito Rafael Greca, os convidados serão levados a conhecer o prédio. Estão previstas exibições de trailers da programação, inauguração do Espaço Valêncio Xavier, abertura da exposição sobre os cinemas de rua de Curitiba e uma homenagem ao cinema italiano que inclui apresentação da Orquestra à Base de Corda.

Alexandre Nero e Maria Flor participam da abertura

O Cine Passeio estará aberto ao público a partir do 28 de março, às 19h. O filme de estreia da programação é Albatroz, com exibição simultânea, nas Salas Luz e Ritz.

Para comemorar o início das projeções, estarão presentes o diretor do filme, Daniel Augusto, e os atores Alexandre Nero e Maria Flor. O filme conta a história de um fotógrafo atormentado após registrar um atentado terrorista. No elenco estão também Camila Morgado, Andrea Beltrão e Andréia Horta. Os ingressos estarão à venda no local.

No dia 30 de março haverá um evento especial no Espaço Valêncio Xavier, sendo prestadas homenagens ao fundador da Cinemateca com a presença de seus familiares. Na ocasião será aberta uma mostra de filmes de Glauber Rocha.

No mesmo dia, será apresentado o projeto Cinco Sentidos, com a exibição do filme Estômago, de Marcos Jorge, no cinema a céu aberto localizado no terraço do Cine Passeio. As comemorações continuam até o fim da semana, com a realização da primeira sessão da meia-noite, na sexta-feira, dia 29, que acontecerá uma vez por mês, e com a matinê para crianças, no domingo, dia 31, às 10h30, que ocorrerá duas vezes por mês. Os filmes a serem exibidos nessas sessões estão em definição.

Texto e imagens reproduzidos do site: bemparana.com.br

terça-feira, 9 de julho de 2019

O Cine São José de Brotas/SP.











Cine São José, localizado no município de Brotas/SP.

O Cine São José de Brotas teve sua primeira sede na Avenida Rui Barbosa, e seu nome foi uma homenagem ao santo de devoção da família do proprietário. Por coincidência, todos os proprietários posteriores tinham José em seus nomes. Anos mais tarde, passou a funcionar na Praça Amador Simões, bem no centro da cidade, sendo vendido logo em seguida.


Inspirados no Cine Avenida de São Carlos, os novos proprietários construíram o novo prédio do Cine São José, inaugurado em 1956, na Avenida Dois, agora Av. Rodolfo Guimarães, onde funciona até hoje. Passou a ser chamado de Palácio Encantado da Cidade. O cinema abrigava outros eventos culturais, como peças de teatro, apresentações de grupos de dança, shows musicais, formaturas.

Texto e imagens reproduzidos do site: cinesaojose.com.br


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Foto reproduzida do site: viajenaviagem.com

Cine Teatro Cuiabá completa 77 anos... (2019)

Cine Teatro Cuiabá nos dias atuais. Visão da plateia com 516 lugares

Publicado originalmente no site Governo de Mato Grosso, em 23 de maio de 2019

Cine Teatro Cuiabá completa 77 anos de história nesta quinta-feira (23)

O historiador e escritor Aníbal Alencastro, que é um dos projecionistas pioneiros dos cinemas de Mato Grosso, revela curiosidades sobre o mais charmoso dos aparelhos culturais da capital.

Protásio de Morais | Secom/MT

Segundo o historiador, as primeiras décadas do Cine Teatro Cuiabá foram gloriosas 
Foto por: Mayke Toscano 

Centro de Cuiabá, noite de 23 de maio de 1942. A sociedade vivia um clima de êxtase nos momentos que antecediam a inauguração do mais moderno cinema da capital. Pela primeira vez seria exibido um filme sonoro na cidade. Na sessão de estreia, marcada para as 20h, foi exibido “A noiva caiu do céu”, filme da Warner Bros estrelado por Bette Davis e James Cagney. O cinema estava lotado. Autoridades, boêmios, artistas, intelectuais, homens e mulheres, todos a caráter (vestidos longos, ternos e gravatas), para inauguração do Cine Teatro Cuiabá. Isso foi há 77 anos.

“Tinha gente caindo pelas tabelas (risos). A entrada do cinema mais parecia um mercado, de tanta gente que estava lá para prestigiar aquele momento histórico da cultura mato-grossense. Ambulantes vendiam de tudo na entrada, tinha pixé, pipoca e rapadura”, recorda Aníbal Alencastro, escritor, historiador e que tem seu nome gravado na história do equipamento cultural, por ser um dos projecionistas pioneiros dos cinemas de Mato Grosso. Vale dizer que o projecionista da noite de estreia do Cine Teatro Cuiabá foi o rosariense Ponciano Maciel da Cruz.  

O jornal “O Estado de Mato Grosso”, datado de 03 de maio daquele mesmo ano, trazia a seguinte manchete: “Ainda este mês a estreia do Cine Teatro Cuiabá”. A matéria, de autor desconhecido, dava destaque para o andamento da instalação do Sistema Movietone, projetor de última geração (à época) com sistema de som óptico. Uma novidade muito aguardada pelos cinéfilos acostumados com o cinema mudo.

“Não posso adiantar qual será o título do filme de estreia, por constituir uma agradável surpresa para os fãs, entretanto, posso assegurar que será uma produção inédita no Brasil”, declarou ao jornal da época, o engenheiro Henrique de Giovanni, responsável pela montagem do aparelhamento técnico do CTC.

Jornal “O Estado de Mato Grosso”, de 03 de maio 1942 com 
manchete sobre a inauguração do CTC

O filme que marcou a estreia do Cine Teatro Cuiabá foi uma escolha do Sr. Francisco Laraya, responsável pela administração do espaço, que trouxe as latas de rolo a tiracolo, do Rio de Janeiro. “Noticiários da época deram conta que a sessão inaugural foi magnífica e contou com a presença a ilustre do chefe maior do Estado, Júlio Müller, o idealizador da tão querida obra. Em geral, corria a boca pequena o seguinte comentário: ‘demorou, mas valeu a pena’”, lembra Alencastro.

Na foto, cartaz do filme “A noiva caiu do céu”, que marcou a 
estreia do CTC no início dos anos 1940

Para a construção do Cine Teatro Cuiabá, que ficou sob a responsabilidade do engenheiro Cássio Veiga Sá, o governo de Júlio Muller investiu mais de um milhão e meio de cruzeiros. Com arquitetura art déco, o Cine Teatro foi construído no terreno onde antes, existia o barracão do lendário Cine Parisien.

Da demolição do antigo cinema à inauguração do CTC, foram quase quatro anos de espera. No mesmo terreno – enorme por sinal, 29 m x 26 m – também fora construído – primeiro – o Grande Hotel, prédio histórico localizado na nova Avenida Getúlio Vargas.

Naquele período, o Cine Teatro foi uma das últimas obras a serem concluídas. Antes, no entanto, fora construída a Residência dos Governadores, o Quartel do 16° Batalhão, o Clube Feminino e o Abrigo Bom Jesus.

Na nova Av. Getúlio Vargas, Grande Hotel e Cine Teatro Cuiabá 
numa propaganda do governo da época

As primeiras décadas do Cine Teatro Cuiabá foram gloriosas. O aparelho público foi palco de grandes peças teatrais, shows de calouros e filmes inusitados que lotavam as salas. O público disputava as vagas e, muitas vezes, tumultos eram formados. Infelizmente, o cinema foi perdendo sua força e encantamento, passando por várias concorrências e, enfim, foi desativado em 1997.

“Quente pá catiça”

Demoraria algumas décadas até que as centrais de ar condicionado fossem uma realidade. Mas a direção tinha uma maneira inusitada de aplacar o calor. Na época, o Cine Teatro apresentava um engenhoso sistema de ventilação, com serpentinas que esguichava vapor de água. Em dias de muito calor, eram adicionadas barras de gelo nos reservatórios de água. No entanto, o calor não era o único mal que prejudicava as sessões no Cine Teatro. A energia, ou a falta dela, provocava apagões com frequência.

No requintado Cine Teatro Cuiabá, nos primeiros meses de funcionamento, também havia uma sala de chá no foyer do teatro, influência trazida das salas de cinema do sudeste do país. Mas por causa do calor intenso da capital, fora desativada rapidamente. Hoje, com centrais de ar condicionado instaladas no prédio histórico – nem tão modernas assim -, onde um dia funcionou contraditoriamente o espaço que servia chá, uma bomboniere moderna serve, entre outros, chá gelado.  

A era das matinês

Por décadas, o Cine Teatro Cuiabá foi cenário de romances, desacordos, crendices, travessuras e muito lirismo. Produções cinematográficas e espetáculos cênicos também eram pretextos para encontros e namoricos nas longas matinês de domingo que exibiam, em sua maioria, séries de TV. Do auge ao fechamento, dos anos parado à reforma, criou-se um imaginário repleto de boas lembranças, algumas balelas e muita arte.

“Entre aviõezinhos de papel lançados do mezanino, nas matinês a gurizada ia ao delírio aplaudindo super-heróis nas séries do Tarzan, Flash Gordon e os cowboys dos filmes de faroeste. Qualquer cena de ação era motivo para muito alvoroço. Lembra da Condor Filmes, aquela produtora antiga? Bem, ela tinha uma apresentação em que a ave pousava numa pedra. Quando o bicho aparecia na tela, a gurizada logo se oiriçava, gritava e assobiava na tentativa de enxotar o pássaro, na maior gozação (riso). Quando o pássaro alçava voou, a comoção era geral. Aplausos e muita gritaria... e olha que tudo isso e o filme ainda nem tinha começado (mais risos)”, recorda.

Nos anos 1950 e 1960, Aníbal Alencastro foi projecionista de quase todos os cinemas de Cuiabá. Era ele o responsável pelas projeções nas matinês de domingo. Vale ressaltar que Aníbal, além do Cine Teatro Cuiabá, projetou filmes no Cine São Luis (no bairro do Porto) e no Cine Bandeirantes. Tornou-se assim umas das maiores referências no assunto – e é até hoje – sendo ele responsável pela instalação dos primeiros cinemas de 35mm nas cidades de Rondonópolis, Poxoréo e Poconé.

No detalhe, Aníbal Alencastro na sala de máquinas do Cine Teatro Cuiabá, nos anos 1960.
 Na foto maior, ao lado do velho projetor, companheiro de tantas sessões, 
hoje em exposição no Museu da Imagem e do Som de Cuiabá

“Aquela magia envolvente só terminava quando aparecia na tela o famoso ‘The End’, que vinha seguido de uma frase bem grande estampada na tela do cinema: volte na próxima semana. Eu costumo dizer que o cinema imprimiu modos e modas. Os homens tinham em seus ídolos, Rodolfo Valentino, por exemplo, o galã da época, uma forte influência. As mulheres queriam se vestir igual as atrizes Mary Pickford e Pola Negri.  Pelas telonas via-se o mundo todo. Era a nossa janela para futuro. De certa forma, o cinema influenciava o modo de agir e pensar das pessoas. E acho que é assim até hoje”.

Aníbal ressalta ainda que o cinema surgiu em Cuiabá bem antes das emissoras de rádio e televisão, em 1910, apenas 15 anos após a invenção do cinematógrafo, na França, pelos irmãos Lumière, considerados os pais da sétima arte.  “Apesar de ser uma cidade geograficamente longe dos grandes centros, Cuiabá respirava o progresso e a modernidade. As pessoas daqui eram muito entusiasmadas com a cultura e adoravam o cinema”.

Fachada do Cine Teatro Cuiabá nos anos 1950
 Acervo: Museu da Imagem e do Som de Cuiabá

Por muito tempo, o Cine Teatro Cuiabá permaneceu como o principal centro das atividades artísticas da capital. Era sinônimo de consumo e produção cultural. Mas a bonita história também carrega traços de melancolia com a interdição do espaço em 1996. Foram doze anos de portas fechadas. O tempo em desuso e a demora por consertos trouxeram danos às instalações e fizeram se multiplicar as histórias e lendas sobre o lugar. Reformas lentas e repletas de interrupções fizeram reparos substanciais que mantiveram as características arquitetônicas da época de sua construção, incluindo sua cor original, amarelo.

Em 21 de maio de 2009, com um concerto especial da Orquestra do Estado de Mato Grosso, o Cine Teatro Cuiabá foi entregue novamente a sociedade. Abriu novamente suas portas com uma grande cerimônia e dois meses de programação gratuita que incluía espetáculos de teatro, dança e música. Ironicamente, cinema não estava no programa.

A partir de outubro daquele mesmo ano, o espaço passou a ter gestão compartilhada entre o Governo do Estado e a iniciativa privada. O Cine Teatro Cuiabá é um dos equipamentos culturais da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel) e continua com gestão compartilhada, nos últimos, sob a administração da Associação Cultural Cena Onze. 

Hoje, o espaço abriga ainda a MT Escola de Teatro, curso superior de Tecnologia em Teatro, oferecido graças a parceria entre a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), a Associação dos Amigos Artistas Amigos da Praça (Adaap) e a Associação Cultural Cena Onze.

Com intensa programação mensal que inclui sessões de cinema, espetáculos de diferentes linguagens artísticas, capacitações e eventos culturais, o mais charmoso dos aparelhos culturais da capital continua a incitar reflexões e a promover a difusão do conhecimento da arte, da educação e da cultura. Vida longa ao Cine Teatro Cuiabá!

 Texto e imagens reproduzidos do site: mt.gov.br